O Paraguai é dono de uma das maiores reservas de energia limpa e barata do planeta. A Usina Hidrelétrica de Itaipú, dividida em partes iguais com o Brasil, é um marco da engenharia mundial: responsável por 10,8% da energia consumida pelo Brasil e quase 90% da energia consumida pelo Paraguai.
O tratado binacional prevê que cada país receba 50% da produção elétrica. No entanto, o Paraguai utiliza internamente apenas cerca de 17% da sua cota. O excedente — equivalente a aproximadamente 30% da produção total da usina — sempre foi vendido ao Brasil a preço de custo, um modelo que, apesar de assegurar receita estável, nunca refletiu o real valor de mercado da energia limpa produzida.
Esse arranjo, conhecido como Anexo C do Tratado de Itaipú, venceu em 2023. Desde então, negociações intensas estão em curso para definir os novos termos. A expectativa é que, a partir de 2027, o Paraguai possa vender livremente sua energia excedente no mercado brasileiro, a preços de mercado, deixando para trás o modelo de venda compulsória a tarifas artificiais
Enquanto diplomatas discutem os termos do Anexo C, uma revolução silenciosa já acontece em solo paraguaio: a chegada massiva das criptofarms.
Empresas de mineração de Bitcoin vêm instalando suas operações no país atraídas por três fatores:
Energia limpa e abundante, derivada de Itaipú.
Tarifas competitivas em relação ao mercado internacional.
Regulação permissiva, que permite a entrada de capital estrangeiro sem grandes barreiras.
Mas o dado mais importante é este: o governo paraguaio cobra uma tarifa diferenciada (mais alta) para o consumo de energia por mineradores. Ou seja, cada megawatt consumido por uma criptofarm rende mais receita para a ANDE (Administración Nacional de Electricidad) do que se fosse vendido ao Brasil no modelo antigo.
Em 2024, apenas o setor de criptomineria já havia gerado cerca de US$ 240 milhões em pagamentos diretos à estatal de energia, colocando os mineradores como alguns dos principais clientes do país. Essa lógica inverte a crítica de que a mineração “suga” energia sem retorno: na prática, gera mais caixa ao governo paraguaio do que a exportação subsidiada ao Brasil.
O resultado é que o Paraguai aparece hoje entre os três maiores hubs de mineração de Bitcoin do mundo, atraindo investidores e consolidando-se como destino estratégico para a indústria global de criptoativos.
Embora a mineração de Bitcoin seja o vetor atual de crescimento, o potencial das criptofarms vai muito além da criação de blocos na blockchain.
Essas instalações já contam com:
Galpões industriais climatizados para suportar calor extremo.
Clusters computacionais massivos em operação 24 horas por dia.
Rede elétrica estável e dedicada, algo raro na região.
Essa infraestrutura pode ser redirecionada para treinar modelos de Inteligência Artificial, hospedar data centers regionais ou realizar processamento científico avançado. Em outras palavras, o que hoje serve para validar transações em Bitcoin pode, amanhã, ser convertido em supercomputadores paraguaios a serviço da IA, do big data, da biotecnologia e de aplicações ainda não imaginadas.
Em um mundo em que poder computacional virou a nova commodity estratégica, o Paraguai detém não apenas energia barata, mas também um parque instalado pronto para ser aproveitado.
Esse potencial já chamou a atenção das grandes potências. Em maio de 2025, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, declarou no Senado dos EUA que o Paraguai tem hoje uma oportunidade única: usar a energia antes vendida ao Brasil para atrair indústrias de Inteligência Artificial.
“O Paraguai estava em um acordo de longo prazo com o Brasil, esse negócio agora expirou […] e eles estão tentando descobrir o que fazer com 50% de eletricidade gerada por energia hidrelétrica que não vão mais para o Brasil. Alguém, se for esperto, vai descer para o Paraguai e abrir uma indústria de IA.”
Rubio ressaltou que o mundo “não produz energia suficiente para atender à demanda da IA” e que países com excedentes limpos e confiáveis terão papel decisivo na geopolítica tecnológica. A mensagem é clara: as criptofarms podem ser apenas o primeiro capítulo de um enredo maior, no qual o Paraguai se torna protagonista da revolução da inteligência artificial.
Energia limpa e barata: Itaipú fornece eletricidade renovável a custos incomparáveis.
Tarifa extra para mineração: diferentemente do Brasil, que compra energia subsidiada, as criptofarms pagam mais, gerando arrecadação superior.
Hub de inovação em construção: já é o 3º maior polo global de mineração de Bitcoin.
Base para diversificação: a mesma infraestrutura pode ser redirecionada para IA, data centers e supercomputação.
Autonomia futura: a partir de 2027, com o novo Anexo C, o Paraguai terá liberdade para negociar sua energia excedente diretamente no mercado.
Atenção internacional: com os EUA de olho, o país pode se posicionar como peça-chave na disputa tecnológica global.
O Paraguai se encontra em uma encruzilhada histórica. Durante décadas, sua energia foi exportada como commodity barata para o Brasil. Agora, o país tem a chance de reverter essa lógica e transformar sua eletricidade em plataforma de desenvolvimento tecnológico.
As criptofarms já provaram que é possível gerar mais receita ao Estado e criar um ecossistema vibrante em torno da energia barata. A próxima etapa é dar um salto qualitativo: usar esse parque computacional para atrair investimentos em IA e ciência de dados, diversificando a base produtiva e ampliando o impacto econômico interno.
Se bem administrado, o Paraguai pode deixar de ser apenas fornecedor de energia barata e se tornar um hub tecnológico global, combinando Bitcoin, inteligência artificial e inovação — tudo alimentado pela força das águas do rio Paraná.
O mundo caminha para um cenário em que poder computacional e energia limpa serão os ativos mais estratégicos do século XXI. O Paraguai já possui ambos.
A questão é se o país terá visão política e institucional para aproveitar essa oportunidade única: consolidar-se como um polo de mineração de Bitcoin rentável, mas também um epicentro latino-americano da revolução da Inteligência Artificial.
📌 Resumo em uma frase:
O Paraguai já arrecada mais ao destinar energia às criptofarms do que ao vender ao Brasil a preço de custo — e está prestes a transformar essa vantagem em uma nova era tecnológica com a inteligência artificial.
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CBN. Secretário dos EUA sugere que energia do Paraguai vendida ao Brasil seja direcionada à indústria de IA. CBN, 20 mai. 2025. Disponível em: cbn.globo.com.
Exame. Secretário dos EUA sugere energia de Itaipu para IA em meio a impasse entre Paraguai e Brasil. Exame, 21 mai. 2025. Disponível em: exame.com.
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